terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Anvisa interdita suplemento Divine Shen

Fonte: Anvisa
Data: 20/12/2010


A importação e a comercialização de produtos da marca Divine Shen foi suspensa em todo o país nesta terça-feira (21/12), a partir da publicação da decisão no Diário Oficial da União. A medida vale até que seja esclarecido, por meio de uma investigação sanitária, como um produto regularmente registrado na Anvisa como alimento foi misturado ao medicamento de uso controlado Sibutramina. A Sibutramina tem ação no sistema nervoso central e reduz a sensação de fome.

A presença da Sibutramina nos produtos da Divine Shen foi atestada em laudo produzido pelo Instituto de Criminalística de São Paulo ao examinar as amostras levadas a testes pelo Ministério Público daquele estado. A 2ª Promotoria de Justiça Criminal iniciou a apuração depois de receber a denúncia de que o produto estaria adulterado.

A medida alcança todos os produtos da marca, alimentos em cápsulas importados da China, cuja detentora da autorização de importação é a empresa Apex International Trading Comércio LTDA. O problema foi identificado em cápsulas que deveriam conter fibras de laranja amarga, alimento com ação de estimular o trato intestinal, o que não afasta a hipótese de o mesmo medicamento, a Sibutramina, ser encontrado em outros produtos.

A Sibutramina é uma substância de uso controlado indicada para o tratamento da obesidade e age nas áreas do cérebro que controlam humor e saciedade alimentar. Estudos divulgados na Europa, em janeiro deste ano, demonstraram que pacientes com histórico de doença cardiovascular podem ter aumentado o risco de doença coronariana, acidente vascular cerebral, taquicardia e aumento da pressão arterial quando expostos ao medicamento.

Outra ação da Anvisa é informar sobre o achado em relação aos produtos da Divine Shen à rede Infosan da Organização Mundial de Saúde. Assim, o fato ocorrido no Brasil será compartilhado entre os países membros da OMS, por meio dessa rede criada para prover o intercâmbio sobre a qualidade e a segurança dos alimentos colocados em seus mercados.

A Agência notificará ainda à Organização Mundial do Comércio sobre a decisão tomada em relação ao produto importado da China, apresentando a devida justificativa sanitária e o caráter de emergência envolvido na questão, para que a medida tomada não seja classificada, posteriormente, como uma violação ao comércio internacional. A área internacional da Anvisa fará contato direto com as autoridades sanitárias chinesas para obtenção de informações adicionais sobre o produto e os dados do fabricante chinês do Divine Shen.

As medidas divulgadas nesta terça-feira são de caráter preventivo. Só depois de apurar toda a situação, a Anvisa poderá anunciar o que de fato ocorreu e que medidas podem ser adotadas.

Cientistas descobrem classe de proteínas vinculada a 130 doenças cerebrais

Fonte: Folha Online
Data
: 20/12/2010


Cientistas anunciaram a descoberta de uma série de proteínas que desempenham um papel crítico no desenvolvimento de mais de 130 doenças cerebrais. O estudo, divulgado no domingo, também ressalta um vínculo surpreendente entre três doenças --incluindo os males de Alzheimer e Parkinson-- e a evolução do comportamento humano, afirmaram.

O cérebro humano é um labirinto de milhões de células nervosas especializadas, interconectadas por bilhões de sinais eletroquímicos, denominados sinapses.

Entre estas sinapses estão proteínas que se combinam, formando uma máquina molecular conhecida como densidade pós-sináptica ou PSD (na sigla em inglês), que se acredita que interrompa o funcionamento sináptico, provocando doenças e mudança de comportamento.

Em artigo publicado na revista "Nature Neuroscience", Seth Grant, do Instituto Wellcome Trust Sanger (Reino Unido), conduziu uma equipe que extraiu as PSDs das sinapses de pacientes que se submeteriam a cirurgia cerebral.

"Nós descobrimos que 130 doenças cerebrais se vinculam com a PSD, muito mais que o esperado", disse Grant. "A PSD humano está no estágio central de um largo espectro de doenças humanas que afetam milhões de pessoas", acrescentou.

Além de problemas comuns e neurodegenerativas debilitantes, estas doenças incluem epilepsias e doenças do desenvolvimento infatil, como o autismo.

As PSDs identificadas até agora vêm das combinações de 1.461 proteínas, cada uma codificada por um gene separado.

"Nós agora temos uma lista abrangente de mil suspeitas", acrescentou Jeffrey Neobels, professor do Baylor College de Medicina, no Texas, em comentário no estudo. "Cada sétima proteína nesta relação está vinculada a uma doença clínica conhecida e cerca da metade é reincidente", acrescentou.

PESQUISA FUTURA

As descobertas abrem alguns novos caminhos para o combate a estas doenças, inclusive melhores diagnósticos, afirmaram os autores.

Para ajudar a acelerar esta meta, os cientistas divulgaram todos os dados em domínio público e criaram o primeiro "mapa do caminho molecular" para as sinapses humanas, demonstrando como as proteínas e as doenças se interconectam.

"Também podemos ver caminhos para desenvolver novos testes de diagnósticos genéticos e ajudar os médicos a classificar as doenças cerebrais", afirmou Grant.

O estudo também revelou, de forma inesperada, que as proteínas nas PSDs têm profundas raízes evolutivas e desempenham um papel indireto em comportamentos cognitivos tais como leitura e memória, emoção e humor. Em comparação com outras proteínas codificadas por genes, as proteínas PSD evoluem muito lentamente.

"A preservação da estrutura destas proteínas sugere que os comportamentos governados pela PSD e as doenças associadas a elas não mudaram muito ao longo de milhões de anos", comentou Grant.

O estudo também demonstra que as sinapses em roedores são mais similares às dos humanos do que se pensava anteriormente, sugerindo que camundongos e ratos são bons modelos para examinar doenças cerebrais humanas, acrescentou.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), as doenças e distúrbios cerebrais são a causa principal de incapacidade médica no mundo desenvolvido.

Plástica em pacientes com câncer

Fonte: Agência Fapesp
Data
: 21/12/2010


Cerca de 60% das cirurgias plásticas reparadoras no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) são para recuperação de áreas afetadas pelo câncer de pele. É o que mostra um levantamento realizado pelo órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo com pacientes atendidos no instituto.

O balanço foi feito com base no número de cirurgias realizadas pelo Icesp. Mensalmente, o órgão realiza 100 procedimentos cirúrgicos para recuperar áreas do corpo afetadas por tipos diferentes de câncer.

O levantamento apontou que, devido à exposição ao sol, 80% das neoplasias na pele atendidas no órgão são localizadas na região da cabeça e do pescoço. O câncer de mama aparece logo em seguida, com 23% dos atendimentos.

Do total de pacientes que passaram por intervenções plásticas no instituto, 80% não precisaram realizar duas cirurgias, pois a reconstrução foi imediata e ocorreu logo após a retirada do câncer.

Segundo o instituto, a cirurgia é realizada no momento de retirada do tumor, o que reduz o tempo de internação, melhora a qualidade de vida do paciente e apressa o retorno às suas atividades diárias.

No caso de reconstruções na face, a intervenção imediata ajuda a manter funções básicas, como fonação e degustação, além de abreviar o tempo de oclusão dos olhos e minimizar choques estéticos, elevando a autoestima do paciente. Cirurgias plásticas imediatas nas extremidades (pernas e braços) reduzem as chances de amputação dos membros, evitando a mutilação permanente.

Un virus podría ser un factor desencadenante de la esclerosis múltiple

Fonte: JANO.es
Data
: 20/12/2010


Un estudio de la Universidad de Granada halla relación entre la infección por el virus de Epstein-Barr y la enfermedad neurodegenerativa.
El virus de Epstein-Barr (VEB), perteneciente a la familia de los herpesvirus, que también incluye el virus del herpes simple y el citomegalovirus, podría ser uno de los factores ambientales que desencadenaría la esclerosis múltiple.
Así lo han puesto de manifiesto especialistas de la Universidad de Granada (UGR), que han analizado la presencia de este virus en enfermos con esclerosis múltiple, mediante el estudio del índice de anticuerpos, es decir, los anticuerpos que son producidos en el interior del Sistema Nerviosos Central y que, por lo tanto, podrían estar directamente implicados en el desarrollo de la esclerosis.
Aunque se desconoce la causa de la esclerosis múltiple, parece existir cierta susceptibilidad genética en los individuos que la presentan, asociada a ciertos factores ambientales que podrían desencadenar la enfermedad, según ha resaltado hoy en una nota la propia UGR.
Pese a que varios estudios han intentado determinar cómo la infección por el virus de Epstein-Barr se podría considerar un factor de riesgo para desarrollar la esclerosis múltiple, los científicos granadinos han realizado ahora un meta-análisis de estudios observacionales de casos y controles, cuyo fin es determinar esta asociación.
Estudio con 151 personas
Además, en un grupo de pacientes con esclerosis múltiple formado por 76 personas, y en otro de 75 personas sin la enfermedad se buscó un patrón que intentara asociar el virus y la esclerosis múltiple.
Para ello, se determinó la presencia de anticuerpos frente a los antígenos del virus, sintetizados en el Sistema Nervioso Central, así como la detección de ADN vírico para investigar el índice de anticuerpos frente al VEB en el sistema nervioso central y la presencia de ADN de VEB, respectivamente.
Esta investigación ha sido realizada por Olivia del Carmen Santiago, del departamento de Microbiología de la UGR, y dirigida por los profesores José Gutiérrez Fernández, Antonio Sorlózano y Óscar Fernández Fernández.
En concreto, los científicos han obtenido una asociación estadísticamente significativa entre la infección vírica y la esclerosis múltiple, a partir de la detección de marcadores que, fundamentalmente, indican infección pasada y no con los que indican infección reciente o reactivación. Del Carmen Santiago ha afirmado, al hilo de ello que, debido a que todavía se desconocen los factores que desencadenan esta enfermedad, "es importante empezar a estudiarlos y, si es posible, desarrollar algún tipo de profilaxis frente a éstos".
En este estudio se ha encontrado asociación con ciertos marcadores de infección del virus, "pero para poder obtener una conclusión definitiva es necesario que se desarrollen nuevas investigaciones, con un número suficiente de pacientes, que utilicen la combinación de varias técnicas microbiológicas, donde se determinen los diferentes marcadores de infección vírica valorando la situación clínica del paciente e incluso años antes de la aparición de los primeros síntomas de la esclerosis múltiple", ha concluido.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Corte profundo sem cicatriz

Fonte: Agência Fapesp
Data
: 13/12/2010


Uma novidade foi anunciada no último domingo (12/12) na 50ª Reunião Anual da American Society for Cell Biology, na Filadélfia, Estados Unidos, poderá resultar em alternativas para tratar ferimentos graves sem a formação de cicatrizes.

O ácido hialurônico é uma substância presente no organismo de todos os animais que preenche os espaços entre as células. Com o avanço da idade o ácido hialurônico diminui, reduzindo também a hidratação e elasticidade da pele, o que contribui para o surgimento de rugas.

O grupo de Cornelia Tölg, do London Regional Cancer Program, em Ontário, no Canadá, conseguiu bloquear fragmentos de ácido hialurônico que disparam a inflamação.

O bloqueio, feito em ratos com um minúsculo peptídio chamado 15-1, promoveu a cura de ferimentos profundos com a minimização de cicatrizes e a formação de um tecido cutâneo mais forte no lugar afetado.

A equipe, que contou com pesquisadores dos Estados Unidos, identificou no peptídio (molécula composta de dois ou mais aminoácidos) denominado 15-1 a capacidade de bloquear receptores moleculares em células da pele que reagem a fragmentos do ácido hialurônico ao estabelecer um caminho celular para a inflamação.

Nos testes feitos em laboratório, uma única dose do peptídio reduziu a contração do ferimento, os depósitos de colágeno, a inflamação e o crescimento de vasos sanguíneos novos e indesejados. Apesar de o estudo ter sido feito em animais, os cientistas afirmam que os resultados obtidos podem ser extrapolados para eventual aplicação em humanos.

Até o fim da década de 1970, o ácido hialurônico era considerado apenas uma espécie de goma inerte que preenchia a matriz extracelular, mas desde então estudos têm mostrado seu importante envolvimento em uma ampla variedade de processos biológicos, do desenvolvimento embrionário do coração a metástases de tumores, passando pelo reparo de ferimentos.

A relação entre níveis de ácido hialurônico e a regeneração de tecidos é paradoxal, segundo os autores do estudo. Os níveis desse ácido são extremamente elevados em embriões e em recém-nascidos, que são capazes de se recuperar rapidamente de cirurgias sem a formação de cicatrizes.

Mas, durante a vida adulta, os níveis de ácido hialurônico intactos caem enquanto aumenta a proporção de moléculas quebradas da substância. Por conta disso, enquanto o ácido intacto promove uma recuperação forte – no caso de ferimentos – os fragmentos atuam junto a receptores que disparam a inflamação que resulta na formação de cicatrizes e de pele mais frágil.

O estudo foi apresentado com o título “Use of Hyaluronan Binding Peptides for Control of Wound Repair Associated Fibrosis”.

Proteína restaura memória

Fonte: Agência Fapesp
Data: 14/12/2010


Um grupo de pesquisadores do Centro em Ciência da Saúde na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, conseguiu restaurar a memória e a capacidade de aprendizagem em um modelo animal da doença de Alzheimer.

No estudo, a recuperação foi verificada em camundongos que tiveram aumentada a quantidade de uma proteína chamada CBP. Segundo os autores, trata-se da primeira demonstração de que a CBP, que libera a produção de outras proteínas essenciais para a formação de memórias, pode reverter consequências da doença hoje incurável.

Os resultados da pesquisa serão publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

De acordo com os cientistas, o estudo aponta para um novo caminho para o desenvolvimento de terapias para Alzheimer, forma mais comum de demência que afeta mais de 25 milhões de pessoas no mundo.

Em pacientes com a doença, o acúmulo da proteína beta-amiloide bloqueia a formação de memória ao destruir as sinapses, regiões em que os neurônios compartilham informações. Outra proteína, a tau, forma emanharados neurofibrilares que se depositam no interior dos neurônios.

Aumentar a quantidade de CBP não altera a fisiologia da beta-amiloide ou da tau, mas atua em um mecanismo de recuperação diferente, ao restaurar a atividade da proteína CREB e elevar os níveis de outra proteína, chamada BDNF.

“A CBP pode funcionar como um efeito dominó entre as proteínas que transportam sinais das sinapses aos núcleos dos neurônios. Levar informação aos núcleos é necessário para a formação de memórias de longo prazo”, disse Salvatore Oddo, um dos autores do estudo.

O grupo produziu geneticamente um vírus capaz de levar a CBP ao hipocampo, região no cérebro fundamental para a consolidação de memórias e para a aprendizagem.

Aos seis meses de idade, quando a entrega da CBP foi realizada, os camundongos modificados geneticamente estavam com perdas cognitivas semelhantes às verificadas no Alzheimer.

Os animais foram avaliados em um labirinto, onde tinham que lembrar a localização de uma plataforma de saída. Camundongos tratados com CBP foram comparados com outros que receberam apenas placebo e com um terceiro grupo, de animais normais.

A eficiência em escapar do labirinto foi usada como sinal de formação de memória e de aprendizagem. No modelo com Alzheimer, o rendimento do grupo com CPB foi idêntico ao observado nos animais normais, sem a doença, e muito superior ao grupo que recebeu placebo.

Mortes por diabetes crescem 10% em onze anos

Fonte: Agência Brasil
Data: 14/12/2010


O diabetes está matando mais no Brasil. De 1996 a 2007, as mortes causadas pela doença cresceram 10%. Com esse aumento, os óbitos passaram de 30 para 33 por grupo de 100 mil habitantes no período, como constatou o Saúde Brasil 2009, estudo anual do Ministério da Saúde.

Os números vão no caminho contrário de outras doenças crônicas não transmissíveis, que apresentam tendência de queda. O estudo do ministério apontou redução de 17% nas mortes causadas por doenças crônicas, que fez mais de 705 mil vítimas somente em 2007. A queda foi de 569 para 475 óbitos por 100 mil pessoas.

A maior redução foi identificada nos problemas respiratórios, como enfisema e asma, 33%. As mortes por doenças cardiovasculares apresentaram queda de 26%. Para o governo federal, o crescimento das mortes por diabetes tipo 2, a mais comum, está relacionado ao sobrepeso na maior parte da população. Dados de vigilância em saúde do ministério, divulgados este ano, revelaram que quase metade dos brasileiros está acima do peso. A incidência da obesidade na população subiu de 11,4%, em 2006, para 13,9%, em 2008.

A publicação Saúde Brasil identificou grande prevalência das mortes por diabetes na Região Nordeste. Em Alagoas, por exemplo, a média foi de 56 mortes por 100 mil habitantes no ano de 2007, contra proporção de 26 por 100 mil, no estado de São Paulo.

Em 2007, as doenças crônicas responderam por 67,3% das mortes, sendo 29,4% as cardiovasculares e 15,1%, os cânceres. Em quarto lugar, está o diabetes com 4,6%.

Pesquisa mostra redução nas taxas de mortalidade materna e infantil no Brasil

Fonte: Agência Brasil
Data: 14/12/2010


A pesquisa Saúde Brasil 2009 mostra redução nas taxas de mortalidade materna e infantil no país. A diminuição dessas taxas está entre as metas do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecidas pela Organização das Nações Unidas para serem atingidas em 2015.

De acordo com o estudo anual do Ministério da Saúde, publicado hoje (14), todas as causas de mortes de gestantes apresentaram queda de 1990 a 2007, como hipertensão (63%), hemorragia (58%) e aborto (80%). Com isso, a taxa de mortalidade materna passou de 140 a cada 100 mil bebês nascidos vivos, na década de 90, para 75, em 2007.

A trajetória de queda brasileira foi maior de 1990 a 2001. De 2002 a 2007, tem variado de 72 a 75 mortes por 100 mil nascidos vivos.

O ministério atribui a tendência de redução da mortalidade materna à ampliação do acesso aos serviços médicos antes, durante e após o parto. Atualmente, 98% dos partos são feitos em hospitais e 89% por médicos. Quase 90% das grávidas realizam, no mínimo, quatro consultas do pré-natal no Sistema Único de Saúde (SUS). A meta da ODM é de 35 óbitos por grupo de 100 mil nascidos vivos.

Em relação à mortalidade na infância, a taxa nacional diminuiu 57,6%, de 1990 a 2008, entre crianças com menos de 5 anos e passou de 53,7 para 22,8 por mil nascidos vivos. A meta estabelecida pelas Nações Unidas é de 17,9 mortes por mil nascidos vivos. O Brasil prevê cumprir o objetivo em 2012.

Segundo a publicação Saúde Brasil, o Nordeste apresentou a maior redução da mortalidade infantil no período, 65%. Mas o índice da região está acima do nacional, 32,8 mortes para cada mil nascidos vivos.

A pesquisa registrou também queda na taxa de desnutrição infantil no país. De 1989 a 2006, o número de crianças com menos de cinco anos com baixo peso para a idade caiu de 7,1% para 1,8%. Com a redução da desnutrição infantil, o governo brasileiro cumpre, desde 2006, uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a de erradicar a extrema pobreza e a fome.

Para o Ministério da Saúde, a redução da desnutrição aguda entre crianças está relacionada ao aumento da escolaridade da mãe, à melhoria do poder aquisitivo das famílias e ao acesso aos serviços de saúde, água encanada e rede de esgoto.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pesquisadores buscam retirar 'combustível' de célula cancerosa para tratar tumor

Fonte: Folha Online
Data: 07/12/2010


Na última década, desenvolvedores de drogas contra o câncer tentaram conter os aceleradores que causam o crescimento de tumores. Agora eles querem bloquear o fluxo de combustível.

As células cancerosas, devido ao seu rápido crescimento, têm um apetite voraz por glicose, o principal nutriente usado para gerar energia. E os tumores muitas vezes usam a glicose de forma diferente das células saudáveis, uma observação feita pela primeira vez por um bioquímico alemão na década de 1920.

Essa observação já é usada para detectar tumores no corpo usando tomografias por emissão de pósitrons. Uma forma radioativa da glicose é injetada na corrente sanguínea e se acumula em tumores, iluminando a imagem do exame.

Agora, os esforços estão se direcionando para diagnósticos para tratar a doença ao perturbar o metabolismo especial das células cancerosas, privando-as de energia.

A principal estratégia de pesquisa da última década envolveu as chamadas terapias direcionadas, que interferem em sinais genéticos que agem como aceleradores, causando o crescimento dos tumores. Mas existe uma tendência a haver aceleradores redundantes, então bloquear apenas um com uma droga geralmente não é suficiente.

No entanto, pelo menos na teoria, privar os tumores de energia deve fazer com que todos os aceleradores percam eficácia.

"Os aceleradores ainda precisam da fonte de combustível", disse Chi Dang, professor de medicina e oncologia da Johns Hopkins University. De fato, afirmou Dang, descobertas recentes mostram que os sinais de crescimento genético muitas vezes trabalham influenciando o metabolismo das células cancerosas.

Os esforços para explorar o gosto por doces do câncer ainda estão engatinhando, com poucas drogas em testes clínicos. Mas o interesse está crescendo entre as empresas farmacêuticas e pesquisadores acadêmicos.

"O fornecimento e a privação de nutrientes está se tornando a próxima grande onda'', afirmou David Schenkein, CEO da Agios Pharmaceuticals, uma empresa formada há dois anos para desenvolver drogas que interferem no metabolismo do tumor. Entre seus fundadores está Craig B. Thompson, novo presidente do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova York.

Outras empresas menores, como a Cornerstone Pharmaceuticals e a Myrexis, estão buscando essa abordagem, e grandes empresas farmacêuticas também estão seguindo esse caminho. Este ano, a AstraZeneca concordou em trabalhar com a Cancer Research UK, uma organização beneficente britânica, no desenvolvimento de drogas que interferem no metabolismo do câncer.

Um fator que gera interesse no metabolismo do câncer é a intrigante interação entre o câncer e o diabetes, uma doença metabólica marcada por altos níveis de glicose no sangue. A possível ligação entre os dois grandes males atrai tanta atenção que a Sociedade Americana do Câncer e a Associação Americana do Diabetes publicaram em conjunto uma declaração consensual este verão resumindo tal evidência.

Pessoas com diabetes tipo 2 tendem a ter risco maior de desenvolver certos tipos de câncer. E evidências preliminares sugerem que a metformina, a pílula mais usada contra diabetes, possa ser eficaz no tratamento ou prevenção do câncer.

Ainda não está claro se um alto nível de glicose no sangue é a razão pela qual os diabéticos possuem maior risco de desenvolver câncer. Uma explicação mais provável é que pessoas com diabetes tipo 2 possuem níveis mais altos de insulina, um hormônio conhecido por promover o crescimento de certos tumores, de acordo com a declaração consensual mencionada anteriormente.

De forma similar, a metformina pode combater o câncer a reduzir os níveis de insulina, não de açúcar no sangue. Mas há algumas evidências de que a droga trabalhe em parte inibindo o metabolismo da glicose em células cancerosas.

Mesmo que o nível de açúcar no sangue alimente o crescimento de tumores, especialistas afirmam que tentar diminuir o nível geral de açúcar no corpo ?

passando fome, por exemplo ? provavelmente não seria eficaz. Isso porque, pelo menos para pessoas sem diabetes, o corpo é muito bom em manter certo nível de açúcar no sangue, apesar das flutuações na dieta.

"Quando um paciente com câncer sofre restrição de calorias, a quantidade de glicose no sangue até que ele esteja quase morto é próxima do normal", disse Michael Pollak, professor de medicina e oncologia da McGill University, em Montreal. Além disso, afirmou Pollak, os tumores são especialistas em extrair glicose do sangue. Então, mesmo que a glicose seja escassa, "a última célula sobrevivente no corpo seria a célula do tumor", ele disse.

Assim, os esforços estão direcionados não apenas para a redução do nível geral de glicose no corpo, mas para a interferência específica em como os tumores usam a glicose.

Isso leva ao efeito Warbug, que leva esse nome em homenagem a Otto Warburg, o bioquímico e vencedor do Nobel alemão que notou pela primeira vez o metabolismo particular dos tumores, na década de 1920.

A maioria das células saudáveis queima primariamente glicose na presença de oxigênio para gerar ATP, um químico que serve como fonte de energia da célula. Entretanto, quando o oxigênio está baixo, a glicose pode ser transformada em energia por outro processo, chamado glicólise, que produz ácido lático como resultado. Os músculos que realizam exercícios extenuantes usam a glicólise, com o acúmulo resultante de ácido lático.

O que Warburg observou foi que os tumores tinham tendência a usar glicólise mesmo com a presença de oxigênio. Isso é intrigante, pois a glicólise é muito menos eficiente que a produção de ATP.

Uma teoria é que as células cancerosas precisam de matéria-prima para criar novas células com a mesma intensidade com que precisam de ATP. E a glicólise pode ajudar a fornecer esses elementos.

"É possível economizar a energia que acende as luzes da sua casa, mas aquela energia não é capaz de criar nada", disse Matthew G. Vander Heiden, professor assistente de biologia do Massachusetts Institute of Technology.

Todavia, assim como tudo que diz respeito ao câncer, o metabolismo é algo complexo. Nem todas as células cancerosas usam a glicólise, e algumas células normais o fazem. Então pode ser um desafio desenvolver drogas capazes de prejudicar tumores, mas não células normais.

Dois esforços anteriores realizados por uma empresa chamada Threshold Pharmaceuticals para interferir no metabolismo da glicose não deram certo em testes clínicos. Uma das drogas da Treshold, a 2DG, é a mesma forma de glicose usada nas imagens de tomografia por emissão de pósitrons, mas sem a radioatividade. Devido a uma leve modificação química, essa forma de glicose não pode ser metabolizada por células, então ela se acumula.

Um acúmulo muito menor de 2DG é necessário para detectar um tumor num exame do que destruí-lo. Grandes quantidades da droga foram necessárias porque ela só dura um período muito curto no corpo e teve de competir com a glicose natural que é abundante na corrente sanguínea.

No entanto, os esforços não terminaram. Waldemar Priebe, professor de química medicinal do M.D. Anderson Cancer Center, afirmou ter desenvolvido uma forma de entregar quase dez vezes mais 2DG a um tumor. Ela foi licenciada para uma empresa nova chamada Intertech Bio.

A outra droga da Treshold, a glucosfamida, consistiu em glicose associada a um agente quimioterápico padrão. A ideia era que, como o cavalo de Troia, os tumores ingeririam a glicose e seriam envenenados.

Num teste clínico na última fase envolvendo mais de 300 pacientes com câncer pancreático avançado, a glufosfamida prolongou vidas em comparação à ausência de tratamento, mas sem expressão estatística.

Uma nova empresa, a Eleison Pharmaceuticals, planeja repetir o teste. Forrest Anthony, diretor médico da Eleison, afirmou que o teste original teria tido sucesso se excluísse 43 diabéticos que tomavam insulina, pois, como se sabe, ela impede a detecção de tumores por exames de tomografia de emissão de pósitrons. A insulina ''envia glicose para o músculo esquelético e para o tecido adiposo, não para o câncer'', disse ele.

Muitas outras empresas e cientistas estão tentando desenvolver drogas que inibem enzimas ?pyruvate kinase M2, por exemplo, envolvido no metabolismo de tumores.

Outra abordagem é não privar um tumor de energia, mas dar a ele ainda mais energia. Essa é a ideia por trás de uma substância chamada dicloroacetato, ou DCA. Evangelos Michelakis, da Universidade de Alberta, pai da ideia, diz que há um mecanismo pelo qual células que se tornam defeituosas podem cometer suicídio para o bem maior do corpo.

Porém, células cancerosas geralmente não se matam. Segundo Michelakis, isso pode ocorrer por falta de energia suficiente.

O DCA, um químico simples formado em pequenas quantidades quando a água potável é clorada, há muito tempo tem sido usado para tratar certas doenças raras nas quais o ácido lático se acumula no corpo. O DCA inibe uma enzima chamada PDK (pyruvate dehydrogenase kinase). O efeito dessa inibição é mover o metabolismo para longe da glicólise que produz ácido lático e em direção a uma oxidação mais normal da glicose na mitocôndria, as fábricas de energia da célula.

Em 2007, Michelakis e colegas publicaram um artigo mostrando que o DCA, quando colocada em água potável, poderia desacelerar o crescimento de tumores em pulmões humanos implantados em ratos. Aparentemente, o DCA não afetou as células normais.

Alguns pacientes começaram a pedir isso. Em alguns dias, um químico amador tinha sintetizado o DCA e começou a vendê-lo. Algumas clínicas ainda oferecem. Michelakis alertou que, em altas doses, o DCA pode causar danos nervosas e que são necessários meses para que uma quantidade suficiente se acumule no corpo para causar qualquer efeito.

Nesta primavera, no jornal "Science Translational Medicine", Michelakis relatou resultados do primeiro teste humano do DCA, em cinco pacientes com glioblastoma multiforme, um câncer cerebral mortal. Não havia grupo de controle, o que dificultou julgar a eficácia da droga, embora alguns pacientes tenham vivido mais do que o esperado. Houve evidências de que a droga reforçava a atividade da mitocôndria e promovia o suicídio de células.

Como o DCA não é um composto novo, não pode ser patenteado. Portanto, é improvável que uma empresa farmacêutica pague para realizar testes clínicos com ele. Sendo assim, Michelakis tem levantado recursos de fundações e governos para conduzir testes clínicos mais amplos.

"Só temos suposições e empolgação teórica", disse Michelakis. Mesmo assim, ele acrescentou, "não há dúvida de que esta é uma nova direção muito atraente e lógica".

Drogas antivirais elevam chances de cura para hepatite C

Fonte: Folha Online
Data: 06/12/2010

Os três milhões de brasileiros com hepatite C terão mais chance de cura a partir do próximo ano.

A chegada de duas drogas antivirais ao mercado promete dobrar a capacidade de eliminar o vírus e diminuir pela metade o tempo de uso dos remédios.

Os dois medicamentos já passaram por pesquisas em fase três -com pacientes de diversos países, incluindo o Brasil- e estão na etapa final de aprovação nos Estados Unidos e na Europa.

O efeito desses antivirais foi discutido num simpósio latino-americano que terminou ontem, em São Paulo.

"A previsão é que o uso seja liberado no exterior no primeiro semestre de 2011. Esperamos que chegue no Brasil ainda no fim do próximo ano ou no começo de 2012", diz o infectologista Evaldo Stanislau de Araújo, do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo) e responsável pela organização do simpósio.

A hepatite C é causada pelo vírus VHC, transmitido pelo contato com sangue contaminado. Estima-se que tenham a doença 200 milhões de pessoas no mundo.

O vírus causa uma infecção no fígado que, em 85% dos casos, torna-se crônica. A doença não tem sintomas. Um quarto dos pacientes crônicos desenvolve cirrose hepática e pode acabar tendo câncer de fígado.

A única forma de tratamento até agora envolve o uso de duas substâncias: o interferon e a ribavirina. São remédios que melhoram a resposta imunológica do paciente, ajudando o corpo a combater o micro-organismo.

Já as novas drogas, o telaprevir e o boceprevir, impedem a replicação do vírus.

"É o início de uma nova forma de tratamento da hepatite C. Há uma grande expectativa entre especialistas", afirma Edna Strauss, hepatologista do Hospital das Clínicas da USP.

Mais da metade das pessoas que procuram o tratamento disponível hoje não conseguem eliminar a doença: ou os remédios não fazem efeito ou a infecção volta depois de algum tempo.

"É para esse grupo que volta a ter a doença depois de parar de tomar o interferon e a ribavirina que os antivirais vão fazer mais efeito. A possibilidade de cura é de até 90%", diz Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

Mas os medicamentos antigos não serão aposentados. Durante as pesquisas, quando os antivirais foram usados isoladamente, eles fizeram com que o vírus criasse resistência em pouco tempo.

"Existem outros antivirais em fase de testes. Daqui um tempo eles poderão ser usados em conjunto, como um coquetel. Esperamos isso para 2015."


Editoria de Arte/Folhapress

EFEITO COLATERAL

Segundo Paraná, 10% dos pacientes que tomam os medicamentos atuais para tratar a doença não conseguem aguentar os efeitos colaterais por um ano, tempo total do tratamento.

"A ribavirina causa muito efeito adverso. Até 15% das pessoas têm sintomas de depressão. Outras têm fadiga, insônia e irritabilidade."

Os antivirais não vão diminuir esses efeitos. A única vantagem é que será preciso tomar a medicação por menos tempo. "Devemos ter campanhas educativas sobre os efeitos colaterais, para que o paciente não desista de se tratar."

DIAGNÓSTICO

A ausência de sintomas dificulta o diagnóstico da doença. "Tratamos menos de 2% dos portadores. A maioria só vai saber que tem quando já está com um quadro avançado de cirrose", diz Araújo.

Qualquer pessoa que recebeu transfusão de sangue antes de 1994 precisa fazer o exame.

Também são considerados grupos de risco quem usa ou já usou drogas injetáveis, fez tatuagens ou outros procedimentos estéticos com materiais não esterilizados, familiares de portadores do vírus, profissionais de saúde e pessoas com mais de 55 anos.

Vinte e quatro municípios brasileiros correm risco de surto de dengue

Fonte: Agência Brasil
Data
: 06/12/2010


Vinte e quatro municípios em sete estados têm risco de surto de dengue. Nessas cidades, há registros de larvas de mosquitos em mais de 4% de residências pesquisadas.


Pernambuco é o estado com maior número de cidades com risco de surto da doença, dez em todo o estado. No município de Afogados de Ingazeira, no sertão do estado, o índice de infestação é de 11% das casas.


O Rio Grande do Norte aparece em seguida, com quatro municípios em situação crítica. Bahia e Minas Gerais têm três cidades da lista de risco. No Acre são duas cidades e no Amazonas e em Rondônia, uma. Duas capitais estão entre os municípios com situação crítica: Porto Velho e Rio Branco.


As informações são do Levantamento de Índice Rápido de Infestação por
Aedes aegypti (Liraa), divulgadas hoje (6) pelo Ministério da Saúde, que recebeu dados de 370 municípios.


Além dos municípios com risco de surto, 154 cidades estão em situação de alerta, inclusive 14 capitais. Nestas cidades, o índice de presença de mosquitos atinge entre 1% e 3,9% das casas. De acordo com o Ministério da Saúde, esses municípios deverão receber atenção especial no combate ao mosquito para evitar a situação de risco de surto.


Em 192 municípios, o resultado do levantamento foi considerado satisfatório, com menos de 1% de infestação.

HC ganha serviço para tratamento de epilepsia grave

Fonte: Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo
Data
: 08/12/2010


O Hospital das Clínicas da FMUSP, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, ganhou nesta quinta-feira, dia 9 de dezembro, uma unidade especializada em diagnóstico e tratamento de casos de epilepsia de difícil controle. O serviço funcionará no Instituto de Psiquiatria do HC (Ipq). A inauguração aconteceu às 11h.


A nova unidade conta com cinco aparelhos para realização de exames de videoeletroencefalografia, 24 horas por dia. Segundo a coordenadora da unidade, Kette Dualibi Ramos Valente, o local é voltado, predominantemente, ao diagnóstico e tratamento da epilepsia refratária. “Ou seja, aquela que não apresenta controle com a medicação apropriada e que representa cerca de 30% dos pacientes com epilepsia”, explica.


O serviço tem capacidade para monitorar cerca de 40 pacientes por mês. O monitoramento ocorre durante as 24 horas do dia e o período de internação varia, em média, de três a sete dias. O registro prolongado de horas, ou até de dias, possibilita mostrar o comportamento dos diferentes tipos de crises epilépticas, sua caracterização, classificação e frequência.


Procedimentos com eletrodos de superfície e também com eletrodos implantados podem ser realizados no local. Também serão monitoradas crises não-epilépticas psicogênicas (confundidas com epilepsia devido à semelhança das manifestações comportamentais, mas que não são consequentes a descargas cerebrais anormais).


Humanização


A Unidade de Videoeletroencefalografia dispõe ainda de um quarto específico para receber crianças, com ilustrações nas paredes, play table e brinquedos LEGO, além de DVD para vídeos infantis. O objetivo é tornar agradável e lúdica a estada da criança, oferecendo segurança e apoio.


O Instituto de Psiquiatria do HC fica na rua Dr. Ovídio Pires de Campos, 875, Cerqueira César, zona oeste de São Paulo.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Autorização de funcionamento deve ser protocolada na Anvisa

Fonte: Anvisa
Data: 29/11/2010


A partir do dia 1º de janeiro de 2011, a documentação relativa à Autorização de Funcionamento (AFE) e Autorização Especial (AE) de empresas deverá ser protocolada diretamente na sede da Anvisa em Brasília.

Até então, o protocolo desses documentos deveria ser feito na vigilância sanitária local, caso a empresa se localizasse em um dos cinco estados descentralizados: São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Ceará. Porém, como não havia padronização em âmbito nacional para os procedimentos, o protocolo em locais diferentes vinha gerando desencontro de informações e devoluções de documentos.

Haverá um período de transição de seis meses (até 30 de junho de 2011) para proceder às ações de educação e orientação ao setor regulado. Neste período, também será aceito o protocolo na vigilância sanitária local. A partir do dia 1º de julho de 2011, o protocolo será feito exclusivamente na Anvisa.

A medida faz parte do contexto de implantação da Gestão Eletrônica de Documentos e das diversas iniciativas que estão sendo adotadas na Agência no sentido de modernizar as suas práticas processuais. A medida foi consensuada em uma reunião com representantes dos estados e municípios.

Alimentos: Brasil avança no controle de resíduos

Fonte: Anvisa
Data
: 30/11/2010


Estabelecer os critérios para controle de substâncias que migram das embalagens plásticas para os alimentos. Esse é objetivo da Resolução RDC 51/2010 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada na última terça-feira (30/11­).

A norma estabelece critérios para verificar se substâncias prejudiciais à saúde humana estão migrando, em teores maiores do que os autorizados pela legislação, de embalagens e utensílios plásticos para os alimentos. Esses critérios também serão utilizados por todos os países membros do Mercosul.

Além disso, a nova regulamentação da Anvisa segue padrões de referência utilizados por laboratórios dos Estados Unidos e União Européia no controle sanitário de alimento. “O Brasil está alinhado com o que há de mais moderno no mundo no que diz respeito à legislação para o controle de migração de substâncias para alimentos”, explica a diretora da Anvisa, Maria Cecília Brito.

Embalagens com corantes

Os corantes também passaram por processos de análises quanto ao teor da substância nos alimentos. A RDC 52/2010, publicada nesta quarta-feira (1º/12), no Diário Oficial da União, trata sobre os critérios para utilização de corantes em embalagens e equipamentos plásticos destinados ao contato com alimentos.

Os critérios incluem limites para migração de substâncias das embalagens para os alimentos e métodos para determinação desta migração, assim como critérios de pureza e níveis máximos permitidos para o uso de alguns corantes.

Controle sanitário

No Brasil, o controle sanitário de alimentos expostos ao consumo humano é realizado pelas Vigilâncias Sanitárias de estados e municípios. Esses órgãos realizam coleta de alimentos no varejo e encaminham para análise em laboratórios oficiais.

O objetivo é verificar se os alimentos não apresentam risco para a saúde da população. A partir de agora, os critérios estabelecidos pela Resolução RDC 51/2010 da Anvisa devem ser utilizados para determinar a migração de substâncias de embalagens e equipamentos plásticos para os alimentos.

A partir de hoje venda de antibióticos só com receita médica

Fonte: Agência Brasil
Data: 28/11/2010

Desde o último dia (28) começou a valer as novas regras para a venda de antibióticos nas farmácias e drogarias de todo o país. Os medicamentos só podem ser vendidos com a apresentação de duas vias da receita médica, sendo que uma delas ficará com o estabelecimento e outra com o consumidor. Essa norma já vale para remédios psicotrópicos, conhecidos como de tarja preta, usados no tratamento de depressão e ansiedade.

As receitas terão validade por dez dias a partir da prescrição do médico. Os médicos e profissionais habilitados devem prescrever o remédio com letra legível e sem rasuras.

A regra vale para 93 tipos de substâncias antimicrobianas que compõem todos os antibióticos registrados no Brasil, como amoxicilina, azitromicina, cefalexina e sulfametoxazol, algumas das mais vendidas no país. Estão de fora da lista os antibióticos usados exclusivamente em hospitais.

O estabelecimento que desrespeitar a regra está sujeito a punição, que vai de multa até interdição. Com a venda mais rígida, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer evitar o uso indiscriminado de antibiótico pela população e conter o avanço dos casos de contaminação por superbactérias, como a KPC – responsável pelo recente surto de infecção hospitalar no Distrito Federal.

Em nota, a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) alega que a regulamentação causará transtorno aos brasileiros. A entidade argumenta que parte significativa da população não tem acesso a uma consulta médica e que a receita de controle especial também não está disponível em todos os municípios. “Não poderá ser aceita uma receita médica comum e, nesse caso, a farmácia não poderá dispensar o medicamento, mesmo prescrito corretamente pelo médico ou dentista”, diz a associação.

A Abrafarma solicitou adiamento do início da vigência da medida para esclarecer a sociedade. Procurada pela Agência Brasil, a Anvisa informou que a data estipulada estava mantida. As farmácias e drogarias tiveram prazo de 30 dias para adequação.

A resolução da Anvisa, editada em outubro, determina mudanças também nas embalagens e bulas, que deverão ter a seguinte frase: Venda Sob Prescrição Médica - Só Pode Ser Vendido Com Retenção da Receita. As empresas farmacêuticas têm mais cinco meses para se adequar.

Câncer de mama e estresse

Fonte: Agência Fapesp
Data: 30/11/2010


Mulheres diagnosticadas com câncer de mama podem ser acometidas por síndrome psiquiátrica aguda, chamada de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), comuns em pessoas submetidas a situações traumáticas.

Caracterizada por sintomas de evitação (como tentar evitar lembranças ligadas ao episódio), de hiperestimulação (irritabilidade, dificuldades de conciliar o sono e de concentração) e de revivescência (recordações aflitivas, recorrentes e intrusivas), o TEPT pode comprometer não só a qualidade de vida de pacientes com câncer de mama como a continuidade do tratamento.

É o que destaca uma pesquisa conduzida na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) que identificou o TEPT agudo em mulheres diagnosticadas com câncer de mama.

O estudo foi feito com 290 pacientes atendidas no Hospital Pérola Byington, na capital paulista, entre agosto de 2006 e março de 2007. Os sintomas do TEPT estavam presentes em 81% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama.

A pesquisa investigou também fatores associados a não adesão (ou a não aceitação) aos tratamentos para o câncer de mama e apontou que pacientes que apresentaram sintomas do transtorno tiveram menor adesão.

Segundo o estudo, 13,3% dos pacientes com esse transtorno interromperam o tratamento após o primeiro ano de acompanhamento. De acordo com Julio Litvoc, professor do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP e coordenador da pesquisa, o TEPT não tem sido avaliado adequadamente pelos profissionais.

“Esse conceito é pouco utilizado pelos profissionais de saúde, por desconhecimento do transtorno e também por se valorizar as comorbidades associadas ao diagnóstico, como os transtornos de ansiedade, depressão e pânico”, disse à Agência FAPESP.

O estudo “Associação entre as respostas ao estresse em mulheres com câncer de mama e a adesão ao tratamento do câncer de mama” teve participação de Sara Mota Borges Bottino, coordenadora médica da Psiquiatria do Instituto do Câncer de São Paulo (ICESP), e recebeu apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

A primeira parte do estudo investigou a prevalência e o impacto do TEPT e corresponde à tese de doutorado de Sara, orientada por Litvoc. Segundo ele, o estudo relaciona a epidemiologia à psiquiatria. “A ideia foi produzir um trabalho voltado para a reorganização dos serviços de atendimento”, salientou.

“O problema do diagnóstico é que as pacientes podem não manifestar os sintomas de maneira explícita, mas, ainda assim, desencadeá-los de forma a interferir no tratamento e na qualidade de vida. E o pior: não retornar ao médico”, disse Sara.

Segundo a psiquiatra, apesar de ser considerado um transtorno de ansiedade, uma das particularidades do TEPT é a imprevisibilidade. “A paciente não apresentava os sintomas relacionados à doença e, de repente, descobre-se doente após o diagnóstico”, apontou.

Assustadas, as pacientes evitam ter pensamentos sobre o câncer. Os sintomas de evitação se mostraram recorrentes em 58,2% dos casos. Segundo o estudo, os sintomas de evitação merecem maior atenção, porque podem ter consequências graves para as pacientes com câncer, que necessitam ir às consultas e fazer os exames pré-operatórios.

“Esse sintoma é entendido pela equipe médica como ‘negação’. Mas, como parte de uma síndrome de transtorno do estresse pós-traumático, o diagnóstico é relativamente novo”, indicou Sara. Já os sintomas de hiperestimulação e revivescência apareceram, respectivamente, em 63,1% e 59,6% das mulheres entrevistadas.

De acordo com Litvoc, a segunda parte do trabalho – a da adesão – terá continuidade. “Essa segunda etapa trouxe resultados significativos que nos preocuparam. Daremos continuidade a ela aplicando outros métodos”, apontou.